sexta-feira, janeiro 19, 2007

Thomas Henry Huxley

Thomas Henry Huxley
Thomas Henry Huxley (Ealing, Middlesex, 4 de Maio de 1825 — Eastbourne, Sussex, 29 de Junho de 1895) foi um biólogo britânico que ficou conhecido como "O Buldogue de Darwin" por ser o principal defensor público da teoria da Evolução de Charles Darwin e um dos principais cientistas ingleses do século XIX.
O Buldogue de Darwin

Como Darwin nunca foi um grande orador e preferiu morar no interior da Inglaterra, longe dos debates e repercussões da sua teoria, coube à Thomas Huxley o papel de principal defensor da Evolução. Orador perspicaz e feroz, além de um humor cínico, lhe valeu o apelido. Como disse ao estudante Henry Fairfield Osborn, "Você sabe que eu tenho que tomar conta dele - de fato, eu sempre tenho sido o buldogue de Darwin".
O mais importante debate sobre Evolução ocorreu em 30 de Junho de 1860, na Universidade de Oxford, entre T. H. Huxley e o seu principal opositor, o Bispo Samuel Wilberforce, acompanhado de seu acólito Richard Owen. Com o tema "Darwinismo e Sociedade", a Universidade precisou mover o evento de última hora para uma sala maior, graças a um público estimado entre 700 a 1.000 pessoas. Apesar de não ter sido transcrito no momento, as descrições foram de grande vitória para Huxley, no que considera-se um dos grandes debates científicos da História. No momento mais conhecido da discussão, Samuel Wilberforce teria perguntado se foi "através da sua avó ou do seu avô" que ele "alegava a descendência de um macaco". A resposta de Huxley foi clara e ovacionada pelo público: "Se a questão é se eu preferiria ter um macaco miserável como avô ou um homem altamente favorecido pela natureza que possui grande capacidade de influência mas mesmo assim emprega essa capacidade e influência para o mero propósito de introduzir o ridículo em uma discussão científica séria, eu não hesitaria afirmar a preferência pelo macaco".



Evolucionismo versus criacionismo na sala de aula

Evolucionismo versus criacionismo na sala de aula
Controvérsias
Não são poucos os casos nos quais as controvérsias entre evolucionismo e criacionismo fizeram penetrar suas discussões no âmbito escolar, em interferências ou decisões legais sobre aquilo que os professores poderiam ou não “ensinar” e aquilo que os alunos poderiam ou não “aprender” sobre o tema em questão.Um famoso episódio ocorreu em 1925, no Tennesse, EUA, onde o professor John Scopes foi condenado por ensinar a teoria da evolução. Desde 1920 havia se tornado ilegal o ensino dessa teoria nas escolas americanas. Em 1960, a história do professor Scopes foi contada no filme intitulado Inherit the Wind (no Brasil, traduzido por “Herdeiros do Vento”).Foi na década de 1960 que professores e cientistas americanos reviram o conteúdo de Biologia dos currículos escolares, reformulando-o com a elaboração de novos textos e livros que incluíam a evolução.Entretanto, as discussões judiciais ou extrajudiciais entre criacionistas e evolucionistas não cessaram, continuaram ainda mais frequentes da década de 1970 até os dias actuais. Lima (1993, p.26) cita o exemplo de um dos livros didácticos de Biologia mais vendidos nos Estados Unidos que tinha, em 1973, após a reformulação curricular, 18 mil palavras relacionadas com a teoria da evolução. Em 1981, esse número caiu para 13 mil por causa de pressões do órgão responsável pela selecção e distribuição dos livros didácticos nas escolas públicas americanas.Entre os anos de 1980 e 1990, o ensino das teorias evolucionista e criacionista passou muitas vezes por julgamentos nos tribunais americanos. Um recente episódio ocorreu em Agosto de 1999, no qual o Conselho de Educação do Estado de Kansas decidiu novamente pela retirada da teoria de Darwin do currículo escolar, com a ressalva de que ela poderá ser mencionada nas escolas que desejarem, mas por força de lei permanecerá fora das provas ou exames finais.A repercussão no Brasil foi rápida, em destaque nos principais jornais e revistas do cotidiano. O mesmo aconteceu em áreas da ciência e educação. O Jornal da Ciência, publicado pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), por exemplo, reproduziu as críticas que a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos fez ao Conselho de Educação de Kansas.Não conhecemos profundamente a realidade de Portugal. No Brasil, a influência criacionista no ensino mostra-se menor, mas não é desprezível e parece ganhar cada vez mais espaço, notadamente na disseminação de suas ideias por intermédio da media. Fato que pode indicar, no passar dos anos, aumento nos debates também em nosso país. Não esqueçamos ainda que determinadas igrejas com crenças criacionistas são manejadoras de escolas e editoras de livros didácticos, o que também ocorre com igrejas de crenças evolucionistas.O problema não está somente centrado nas controvérsias científico-religiosas do embate entre evolução ou criação dos seres vivos; mas, emanadas dessas controvérsias, o problema se expande em perspectivas de omissão ou favorecimento nas atitudes ou posturas de sala de aula, com possibilidades de criar sofrimentos, angústias ou constrangimentos, mesmo que não exteriorizados, nos indivíduos participantes do processo educacional. Do ponto de vista pedagógico, aceitamos a proposta de Vincenti (1994), na qual “nenhuma verdade pode ser aceita ou admitida, ela deve ser construída e reconhecida”. Para uma condução a acções morais efectivamente livres, a educação formal não pode trilhar por caminhos que aniquilam a vontade de escolha dos alunos. Age-se, muitas vezes, em toda essa polémica como se os estudantes não tivessem nenhum valor moral. Como assinala Puig (1998), a escola deve ter como objectivo o estímulo que possa levar os alunos “à compreensão de quais são realmente os seus valores, para se sentirem responsáveis e comprometidos com os mesmos”; evitando-se, portanto, todo e qualquer tipo de “doutrinação ou inculcação”.
Artigo - A página da Educação retirado do jornal “A Página”